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Politicagem

Sabemos que na última terça, dia 19, começou o horário político obrigatório. Com isso, os candidatos puderam realmente colocar em prática a arte da “Politicagem” (no dicionário de “Ruanês” politicagem significa: ato ou efeito de tentar virar “amiguinho” do seu eleitor). Essa estratégia política é feita através de propostas utópicas (vou acabar com a fome, adeus poluição) ou colocando-se como “paizão” ou “mãezona” do povo, além de outras formas.

O que interesse nesse post é discutir as plataformas políticas dos candidatos a presidência da República. É válido lembrar a vocês de que não só temos Dilma, Marina, Plínio e Serra como pleiteadores ao cargo. Temos também: Ivan Pinheiro (PCB), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidélix (PRTB), Rui Pimenta (PCO), Zé Maria (PSTU). Esses últimos, juntos, não possuem 1% das intenções de voto. Diante disso, não cabe aqui discutir suas campanhas.

Agora vocês me perguntam: “ Ah, e Plinio?”. Minha gente, a personalidade mais peculiar das eleições, o dono dos trending topics brasileiro não pode ser esquecido.

Dilma, a nova “mãezona” do país

Lula conseguiu lançar um candidato a presidência sem carisma ou expressividade alguma no cenário nacional e colocá-lo como grande favorito ao cargo. É impressionante o que o atual governo edificou ao longo dos seus anos no poder, pelo menos em termo de aceitação popular.

O programa de TV da Dilma, (com duração de pouco mais de 10 minutos), foi muito bem produzido. O foco na trajetória dela, depois o relato da prisão e sua participação no processo de redemocratização foram bem colocados. É claro que o melhor foi o depoimento do presidente Lula. Aí sim Dilma se destacou. Lula tinha que mostrar que se ele é o “paizão” do povo, Dilma será a nossa “mãezona”.

Faltou, como sempre, um discurso mais bem preparado dela, uma fala menos confusa, onde não dissesse tudo e nada ao mesmo tempo. Se bem que é exigir demais com o presidente que temos…

Marina, a mulher do tempo

Alguém tem que dizer pra Marina que tem gente que não sabe nem que diabos são as calotas polares, como é que vão entender isso: “O uso de combustíveis fósseis bombeia nossas esperanças e ilusões” Que porra é essa? É apelar demais.

É linda essa proposta do meio ambiente. Ela é fundamental e DEVE ser SEMPRE levada em conta. Porém, não pode ficar só nisso. Ela tem pouco tempo pra falar (pouco mais que um minuto) e por isso tem que procurar ampliar sua visão da nação. Como fazer o brasileiro desmatar menos? Dê emprego, saúde e educação. A partir daí você tenta conscientizar a população.

Plínio, o justiceiro

Esse é o cara que conseguiu fazer um debate político chato ficar engraçado, que participou de um debate online sem ao menos ser chamado e que dominou o Twitter nas últimas semanas.

Achei muito interessante no seu vídeo, o início com as Confissões do Latifúndio de Pedro Casaldáliga. Com sua língua afiada não faltaram criticas a Dilma e Serra. Pra que propostas quando posso falar mal dos adversários?

Bom, o cara quer fazer uma reforma agrária. Preciso comentar? Isso é muito utópico. É como fazer o Corinthians ganhar a libertadores.

Serra, o comedor:

“Como a Vânia que é sua mulher, como o Damião, como Andreia, como Dona Maria”. Esse é o “Serra Pegador”.

Tá bom Serra, já sabemos que você é o “bambambam” da saúde. Por que não fala mais sobre outras coisas? Em sete minutos de propaganda da pra usar outras temáticas. É claro que saúde é o tema do momento. Há de ser necessária uma reforma URGENTE no sistema de saúde nacional. Mas, porra, cadê o resto das propostas? Sem trabalho como o povo vai comprar remédio?

Serra nunca quis ser tanto um torneiro mecânico como agora. Agora ele quer estar próximo das pessoas, quer ser o “paizão” do Brasil, o Lula calvo. Comendo tanta gente assim, vai ficar difícil viu?

Enfim, depois da exibição desses vídeos, Dilma foi apontada com 47% das intenções de voto. Serra ficou com 30% e Marina 9%. Assim, os meios de Comunicação mostraram o quão poderosos são. Resta aos nossos políticos, a sabedoria de abordá-los da melhor maneira possível, de maneira a vender bem o seu peixe e convencer seu eleitorado.

Nova categoria no critico, dedicada a publicar as melhores entrevistas feitas por mim, ao longo de minha trajetória acadêmica (ou melhor: estou com preguiça de escrever, vou postar entrevistas) xD.

Observação: entrevista minha e de Dona Maria Garcia.

Entrevista – Mino Carta

Foto: divulgação

Foto: divulgação

“O diploma é absolutamente corporativista e fascista”

Quem viu aquele senhor no auge dos seus 77 anos sentado à nossa frente, esperando pacientemente pela próxima pergunta, dotado de um olhar ingênuo e de um aspecto físico aparentemente indefeso, não acreditou que pudessem sair palavras tão firmes, corajosas e polêmicas da sua boca. Este senhor é Mino Carta, o italiano considerado uma das maiores figuras do meio do jornalismo político e de informação. Iniciou sua carreira jornalística em 1950 como correspondente do jornal Il Messaggero, em Roma, fundou as revistas Veja e Istoé, e atualmente é editor chefe da revista Carta Capital.

Mino Carta é homem capaz de criticar uma das suas maiores obras, a revista Veja, e de negar o valor daquilo que distingue um cozinheiro de um jornalista, o seu diploma. Durante entrevista, ele ainda falou sobre a existência de uma espécie de ditadura na obrigatoriedade do diploma e da inadequação no exercício da profissão das pessoas formadas em jornalismo.

O senhor é um dos célebres jornalistas que não possuem o diploma de jornalista. Acredita que a formação acadêmica é importante para a profissão?

Mino:Não! Eu sou de uma geração que começou a trabalhar em jornal e aprender ali mesmo na redação que é a melhor maneira de aprender no jornalismo. O famoso diploma é uma injunção da ditadura. Da ditadura que queria tirar a moçada dos bares e da calçada para enfiar em uma faculdade. Você pensa que os ingleses precisam de diploma para praticar, provavelmente, o melhor jornalismo do mundo? Precisam? É obrigatório? Não! O Brasil é o único país que eu conheço que faz isso e obriga ou obrigava, porque agora com a nova lei de Imprensa, isso está em questão. Mas entendamos, o diploma é absolutamente corporativista e fascista. É uma idéia fascista.

Então não acha que seja necessário um centro de estudos focados na comunicação?

Mino:Claro! Fazer um curso de especialização, concebido como pós-graduação de um ou dois anos é perfeito. Nada contra, ao contrário, tudo a favor. Mas nunca integrar o formato com o diploma para habilitar a profissão. O que eu estou vendo de gente inadequada que trabalha na profissão que entrou nessa é impressionante. Gente que se formou em jornalismo e não sabe praticá-lo. Nunca vai ser jornalista, embora tenha diploma.

Antigamente, os meios de comunicação exerciam influência sobre a sociedade, desde o que as pessoas deveriam fazer até o que tinham que pensar. Essa situação ainda persiste? A mídia nacional ainda tem poder sobre o público?

Mino:A imprensa não é lida. O Brasil é um país com um índice de leitura baixíssimo. Ela se destina basicamente a um pequeno grupo de privilegiados e a uma minoria exígua que não define eleição. Decidia antes, nos tempos dos coronéis, porque os senhores botavam os empregados na boléia, no caminhão e levavam para fazer o voto normal. Hoje as coisas mudaram um pouco. Quanto à televisão, ela já teve mais poder. Eu acredito que a maioria os brasileiros não veja televisão para se deliciar com as risadas do Willian Bonner, que anuncia terremotos com expressão de alegria, mas eu acredito que veja, sobretudo, Big Brother, Faustão, novelas, só isso.

Muito se discute sobre a existência da imparcialidade do repórter no exercício de sua profissão. Realmente existe isenção no trabalho de jornalista?

Mino: Não, claro que não. Do jornalista tem que exigir a honestidade. Essa é a característica principal para o jornalista.  Além disso, ele tem que saber lidar bem com a língua, ter espírito crítico, etc. O jornalismo começa pela fidelidade à verdade factual. O jornalista tem que respeitar essas verdades, não deve omitir os fatos, deve dar voz a todas as opiniões e deve, evidentemente, deixar sempre de mentir. Ele não pode nem omitir, nem mentir. A partir disso ele estará respeitando a verdade factual. Uma vez que ele esteja respeitando isso, o jornalista pode introduzir a sua subjetividade, a qual se manifesta de várias  maneiras, seja nas palavras usadas, na pontuação…

Mas o jornalismo que é feito atualmente respeita essa verdade factual?

Mino: Ele não é fiel a verdade factual e ao espírito crítico. As redações brasileiras estão coalhadas de sabujos, de pessoas que só temem perder o emprego. Eles só exercem relação à verdade de seus patrões. São jagunços, sabujos e estão a serviço dos interesses de uma pessoa, de um grupo ou de uma classe social.

Considerando a sua experiência de trabalho com uma editora grande (Abril) e uma menor (Confiança), qual a diferença do jornalismo produzido entre essas duas editoras?

Mino:Evidentemente, a Globo, a Veja, os jornais da dita grande imprensa, toda essa turma, pratica um jornalismo errado. O número de pessoas que habitam uma redação não muda as coisas, basicamente. Não adianta você ter cem pessoas em uma redação. Nós somos, atualmente, nove pessoas. Fazemos uma revista semanal de muito boa qualidade. Carta Capital é a única revista com a qual a “The Economist”, a mais importante revista do mundo, fecha no Brasil um acordo de publicação de matérias e produções conjuntas e em parceria. Ela acha o resto uma porcaria, como eu acho também. Portanto, nós somos nove profissionais que produzimos uma revista semanal. O que mostra, inclusive, que no Brasil cometem-se desperdícios que ofendem um país tão desigual, com diferenças sociais tão brutais. Ofendem porque as redações com cem pessoas existem e até mais. Você faz um bom jornal, hoje, com trinta pessoas.

Diante disso, como é classificado o jornalismo feito na Veja?

Mino:Em confronto com a Carta Capital, podemos dizer que a Veja é, realmente, a perfeita personificação, a perfeita interpretação daquilo que é um péssimo jornalismo. O pior de todos. Às vezes, até criminoso. Carta Capital, evidentemente, é um primor.


Ensaio sobre o medo


Prisioneiros de si mesmos. (Ruan Ramon Melo)

Grades, lanças, cercas, muros. Estes são os símbolos da insegurança e os reveladores do medo. São os demonstrativos reais de uma sociedade que teme não o estrangeiro, não o desconhecido, mas sim, a si mesma. Os vínculos afetivos não mais preponderam. O que predomina é a sensação de ameaça, o pavor e a falta de tranquilidade.

O dicionário diz que o medo é o temor, receio ou ansiedade racional ou fundamentada.  A vida diz mais que isso. Ela fala do temor ao outro, do receio à sua própria subsistência e da ansiedade pela proteção.  Vida esta que através da ação do homem, fala que na lei da sobrevivência o desejo pela aproximação é um sentimento secundário em nome da garantia pela sua própria existência.

O que é externado na figura de cadeados é a pura representação do que permeia os aspectos sensíveis mais profundos de cada indivíduo. As pessoas são o que criam, o que fazem, o que constroem. As trancas não revelam apenas o desejo pela proteção, mas sim o distanciamento ínfimo dos sentimentos que fazem do homem um ser gerado pelo relacionamento e para o relacionamento.

As marcas do medo

By: Ruan Ramon Melo

O século XXI é o século das mudanças. Transformações econômicas, políticas e culturais afetam o homem. Esta era em que se prima pela revolução no campo tecnológico, aliado aos avanços científicos e eficiência dos meios de comunicação, contrapõe-se a expansão da miséria, desigualdade e violência. E em meio a tantas mudanças socioeconômicas, o resultado passa a ser refletido nas atitudes dos indivíduos que as vivenciam.

De acordo com a UNESCO, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de mortes por armas de fogo. Acontecem 127 homicídios diariamente, o que da um total de 36 mil assassinatos por ano.  Esses homicídios aumentaram no interior do país (crescimento de 13,5 – a cada 100 mil – em 1997 para 18,5 em 2007), junto com a violência entre os jovens brasileiros que pulou para 416% no número de mortos por armas de fogo. Armas estas que contabilizam 21,72 óbitos em cada grupo de 100.000 habitantes.

A partir de todos esses dados é possível concluir que o aumento no número de homicídios, o alastramento de furtos, os seqüestros e a incapacidade do Estado de intervir ou atuar como agente regulador faz com que a sociedade sinta-se cada vez mais desprotegida e procure suprir esse déficit através de medidas de segurança próprias.

-          Pai do cantor Bochecha é morto a tiros em São Gonçalo.

-           Rapper Speed é Assassinado em boate no Rio de Janeiro.
-           Gabrielli Cristina Eichholz, de um ano e meio, brincava na escola em Joinville quando foi atacada e estuprada pelo pedreiro Oscar Rosário.

-           Garçom Genilson Souza dos Santos, 27 anos, leva tiro na garganta e é encontrado boiando no canal de esgoto em Narandiba.

Esses são alguns exemplos de como volta e meia vem à tona no Brasil mais um caso de violência. As crianças não escapam, os idosos são mortos violentamente e encontros festivos acabam em tiros. Esta é a realidade de um país em que o temor ao próximo é sentimento constantemente presente na vida de cada um. Com isso, o homem usa todas as ferramentas possíveis que inibam a violência, a fim de que ela não o alcance ou atinja quem ele mais ama. Edificam-se “muralhas” e “castelos” ditos intransponíveis que sejam capazes de proteger os que lá residem. Pessoas vestem-se de armas e cobrem-se de medo, de maneira que somente a forma que esse temor toma no semblante de cada um os diferencia dos demais.

Cada indivíduo é vigiado em todos os aspectos, desde o seu modo de se vestir até a sua forma de agir. O homem analisa o próprio homem. Está é a sociedade monitorada, que assemelha-se aos próprios reality shows, pois reflete como as pessoas tornam-se espécies de “ratos de laboratório” umas das outras, já que supervisionam-se e julgam-se o tempo todo.

Os resquícios da era medieval ainda estão bem presentes na sociedade atual. Os castelos de tempos remotos foram substituídos por muralhas de arames farpados. Estas são as chamadas Fortalezas do século XXI: “Estamos diante de uma arquitetura que explicita o medo da violência. É crescente o número de elementos medievais e carcerários presentes nas habitações”, diz a professora de arquitetura Sonia Ferraz, na matéria escrita por Antônio Arruda, publicada pela Folha de São Paulo em 2003.

Finalizo esse post com a seguinte frase do fotógrafo baiano André Gardenberg: “o que existe é uma nova paisagem urbana composta por um cenário social repleto de individualidade e reclusão”.

Sobre a irrelevância

Vai encarar?

Ela é tão bonita agora?

Segundo o velho conceito básico, Notícia é uma forma de divulgação de um acontecimento por meios jornalísticos que deve ser reconhecida a partir de algum dado ou evento socialmente relevante que merece publicação.  A palavra chave é essa: relevância. Esqueceram de dizer isso a muitos jornais nacionais.

Volta e meia surgem notícias nos veículos de comunicação cada vez mais irrelevantes, que enchem nossos olhos de porcaria e polui nossas mentes.  Por isso, aproveito para confessar que só decidi escrever hoje depois de ler no portal da globo.com isso: “Tess tira foto e diz: Uil e Dimmy se pegando”. Agora questiono:  quem entendeu? Além de ser uma péssima matéria (se é que podemos considerar isso matéria) ela não está clara no seu lead. Mas voltando ao que interessa: e daí? Por que eu iria querer saber sobre isso? Essa informação vai acrescentar o que na minha vida? Sinceramente, eu não sei quem tem menos noção de realidade, quem escreveu ou quem leu e gostou.

É difícil você passar por todo um semestre estudando Teorias do Jornalismo, tentando entender os Critérios de Noticiabilidade, para acabar vendo: “Serginho curte noitada no Copacabana Palace”. Li textos e mais textos, fiz provas e mais provas pra terminar sabendo mais sobre a vida de Serginho. Digo isso, porque por mais que você não se interesse pelo assunto, você acaba lendo ou sabendo daquilo enquanto procura alguma notícia interessante (tão raras ultimamente). Afinal, que critério foi usado para a divulgação disso? Acho que faltei a essa aula.

Pouco me importa o que Faustão comeu no almoço ou com quem Sabrina Sato dormiu. Quero conhecer todas as obras de um autor no sentido de sua produção literária. Esse é o meu limite. A vida pessoal deles não tem metade da importância da minha. Não entendo como tem gente que se interessa por saber o que de mais fútil essas ”personalidades públicas” fazem. A vida delas só pode ser um porre!

O tipo de conteúdo ligado ao que as “celebridades” fazem é próprio de revistas como a TI-TI-TI, Contigo e afins, direcionadas a um público específico e que tem estômago forte (pré-requisito pra suportar tanta informação inútil). Só me revolto quando estas informações que pra mim  (REPITO: PRA MIM), são desnecessárias propagam-se nos noticiários e interrompem o que realmente vale a pena assistir.

São raras as oportunidades de boas entrevistas, são raros os momentos em que podemos fazer perguntas instigantes, e quando temos a oportunidade, o entrevistador solta: “Mas me conta, como anda o coração?”. O fato é que, infelizmente, o banal tornou-se “fundamental”.

Enfim, saí do Globo online depois de: “Gisele trabalha em Paris, mas também curte com a família”  e fui buscar algo no UOL. Acabei sabendo que: “Demi Moore publica foto de seus pés no Twitter”. Desisti mais uma vez e fui para o twitter conhecer as receitas de bolo de William Bonner (pelo menos algo produtivo, né?!). Ao fim de toda essa maratona de leitura insignificante acabei indo dormir.

JN = Jornal Nardonial

Quem suporta ainda a discussão sobre o caso Nardoni? Pois bem, eu não.

Todos somos sabedores do quão trágico foi o ocorrido e do quanto a justiça no Brasil TARDA E FALHA (26 e 31 anos de prisão? Cada vez mais exige-se que seja feita uma reforna no Código Penal brasileiro). Porém, existem fatos que enchem o saco. Como se não bastasse o mês inteiro em que todos os jornais noticiavam a morte de Isabella Nardoni, com horas e horas de boletins de ocorrência sobre o andamento da perícia, dos jornais da Record, Globo, Band e SBT disputarem qual deles seria o mais repetitivo nas informações, agora, dois anos depois, com o julgamento do casal que parou o Brasil, voltam-se todos os holofotes para esse mesmo assunto.

Não nego a importância do tema, nego o exagero na cobertura da notícia. Eu não estou nem aí para o comentário do amigo do tio da mãe de Ana Jatobá sobre o que ele acha do julgamento. O EXTRA do Rio de Janeiro (http://www.newseum.org/todaysfrontpages/pop_up.asp?fpVname=BRA^RJ_EX&ref_pge=map&tfp_map=SouthAmerica) dedicou sua capa a frases da mãe da menina: “eu não pude acordar hoje e ter o abraço dela”. Jura? Isso lá é novidade pra quem?

Não posso nem assistir tranquilamente meus programas que vem o plantão da Globo cortando tudo pra mostrar o depoimento do advogado de defesa:  ”acredito muito na nossa vitória”. É óbvio que ele acredita. Acham que vão contratar um pessimista? Isso sem falar nas perguntas de  Sandra Annenberg para os seus repórteres: ”você acha que o choro deles (Nordoni) foi sincero?”  Bom, ela só pode estar presumindo que no curso de Jornalismo você é graduado em psicologia também.

Ninguém quer discutir a realidade jurídica brasileira e pensar em uma reformulação no Código Penal que há muito gera indignação. A sociedade quer só que a “justiça” de 30 anos seja feita.

Milhões de pessoas morrem anualmente de causas mais trágicas. Não estou dizendo que quero só ver a desgraça dos outros. Quero dizer que não se pode deixar de dar informações mais relevantes pra falar de um caso de assassinos de classe alta que já foi mais que batido.Vocês acham que o enfoque seria mesmo com João e Maria que moram no Pau Miúdo? Não, eles são os Nardoni.

Bom, agora com a sentença final (que de final não tem nada) espero que tudo volte ao normal, pelo menos até descobrirem outra dupla dinâmica de ricos matadores de meninas.

E lá vamos nós…

Em entrevista à revista Época, Harison Ford admite que George Lucas está trabalhando no próximo “Indiana Jones”. Haja paciência.

Nos últimos anos, uma série de filmes renomados passaram a ser refilmados ou deram continuação à sua “saga”. Ressuscitaram O incrível Hulk, Batman, Rambo, Rock Balboa, o Exterminador do Futuro e até Duro de Matar (que vai do 1 até o infinito). Aliado a esses filmes, Indiana Jones mostra o quanto o cenário cinematográfico se apóia em clássicos na busca por novos sucessos. Só busca mesmo.

Em alguns casos essa tentativa resultou em êxito, a exemplo do Batman, o cavaleiro das trevas e seu sucesso de bilheteria. Outros longas– Indiana Jones, Duro de Matar e afins – só revelaram o que você já conhecia: já era ruim antes, agora piorou de vez.

Qual o sentido dos filmes com continuação se eles não mudam o enredo?  Uma continuação tem que ter sentido para toda a obra, ou mostrar fatos interessantes mais relevantes do que o primeiro. Em Jogos Mortais só muda a forma escrota das mortes, no mais, assista o primeiro que você  entenderá o todo. Isso sem falar em: “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado” e “Eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado”. Porra é essa?

Vale destacar o lançamento dos filmes baseados em desenhos. Já vi Hulk, Superman, Homem de ferro, Batman, Homem aranha e, o pior de todos, Dragonball. Daqui a pouco vão lançar Hantaro, a volta da amiga Laura.

Acho “emocionante” Silvester Stalone no auge dos seus 150 anos voltar a bater em uns playboys. Porém, isso cansa. Ele saiu do Rambo I falando meio parágrafo e foi para o V falando duas frases. Qual a evolução nisso?

Sei que o que penso representa 1% do pensamento mundial sobre esses filmes. Também sei que as pessoas que acham o mesmo continuam assistindo. É bem contraditório, mas sei que enquanto não oferecerem alternativas de qualidade isso não vai mudar. Portanto, já que é assim, eu quero A lagoa azul em 3D.

Indecisão

Durante o fim do colegial, muitas dúvidas quanto ao nosso futuro enquanto profissional passam pela nossa cabeça. A escolha pelo emprego ideal, sem sombra de dúvidas é a mais desgastante. Passamos horas decidindo sobre o que levar em consideração: o que se ama ou o que dará maior retorno financeiro? Haja vista que para muitas pessoas o apelo pelo dinheiro tem um peso maior.

Saímos das escolas mais indecisos do que quando entramos. Estamos despreparados para a vida, logo, despreparados para tomar decisões de suma importância para o nosso futuro. E ao perceberem nossas dúvidas, professores e familiares nos indicam o que seguir e passam a nos pressionar. Não esperamos o momento ideal. Acabamos dando início a cursos sem saber se realmente é o que queremos.

Alguns estudantes preferem passar 3, 4 ou mais anos tentando passar em um vestibular para Direito, Medicina ou afins, mesmo sem aptidões para a profissão. Só enxergam os lucros ao término da graduação. E ao, enfim, serem aprovados, esquecem do quanto é difícil se manter dentro da faculdade sem gostar do que se faz. Não percebam que aquilo será uma tortura. Estas mesmas pessoas, movidas pela empáfia, sentem-se no direito de se sentirem superiores, de desprezarem outros cursos, alegando uma maior importância que, na verdade, não há. São ignorantes. Cada sistema tem um nível de valor dentro da sociedade. Lembrem-se dos micropoderes a que Foucault tanto se referiu.

O objetivo da faculdade é que você ganhe mais 4 ou 5 anos de conhecimento e que amadureça enquanto ser pensante. É fazer você querer estar lá. O ensino superior não existe para que você passe todo esse tempo só desejando que tudo acabe para ser jogado no mercado de trabalho e comece a ganhar dinheiro. Dessa forma, de nada servirá para a sua vida.

É claro que os tempos mudaram, mas o ser humano era feliz muito antes de existir o capital e continuará mesmo que sem ele. Além do mais, qualquer um pode ser milionário fazendo qualquer coisa, não importa o que for, basta dedicar-se. Sem mencionar que a definição de riqueza nem sempre é a mesma para todos. Para alguns possuir riqueza é pura e simplesmente ganhar muito dinheiro, para outros, é sair do trabalho com a sensação de que teve um ótimo dia, de que seu tempo não foi perdido e de que aquilo tudo só acrescentou à sua vivência.

Por último deixo claro apenas uma coisa: felizes são aqueles que conseguem encontrar amor no que fazem e que em contrapartida conseguem um alto bônus financeiro.

Sobre o ser e o não ser

É possível que doutrinas divergentes ao sistema social vigente sobrevivam?Há lugar para o socialismo em meio a tanto materialismo? Normalmente alguém diria que essas questões são irrelevantes já que há espaço para todas as formas de pensar, pois fazemos parte de um mundo democrático. Porém, antes de responder a essas perguntas aparentemente tão simples, pense bem: como um socialista, comunista, ou adepto de qualquer outro pensamento semelhante viverá em uma sociedade repleta de materialismo se não for aceitando o próprio sistema? Ser democrático é aceitar para sobreviver?

A sociedade é excludente. Somos meros coadjuvantes do nosso próprio sistema. Somos separados por favelas. Observamos passivamente toda a disparidade econômica. Deixamos-nos enganar por promessas e somos inertes ao perceber tudo isso. Então, como é possível coexistir em um mundo em que os dogmas do consumismo se sobrepõem ao coletivo, ao comunitário?

Qualidade de vida tornou-se sinônimo de riqueza e poder. Afinal: trabalhamos para viver ou vivemos para trabalhar? Onde estará a felicidade se não no final do mês ao receber o salário? Qual a maior tristeza para um pai se não a de dizer ao seu filho que não tem dinheiro para comprar o seu brinquedo de natal? Que frustração é maior para um estudante se não a de não conseguir um bom emprego ao final de sua graduação? Diante de tantas indagações faço a principal pergunta: é a felicidade que traz a riqueza ou a riqueza que leva à felicidade? E onde está o amor pelo que faz?

O poder não é só dado pelo nível aquisitivo e os sorrisos não são frutos do que foi consumido. O poder a que me refiro não é a forma de se impor sob outrem, mas sim a capacidade de ver beleza onde ninguém ver. Tem poder aquele que através da sabedoria sabe fazer sorrir com o mínimo de dinheiro. Tem poder aquele que consegue ser feliz acima de qualquer imposição dada pelo seu ambiente social.

Vivemos em shoppings – os chamados: “templos do consumismo”-, e esquecemo-nos do quão bela é a vida fora daquelas muralhas. Compramos sem saber o real valor útil do produto. E diante desse panorama, como alguém que não siga esses preceitos pode viver se em todo virar de cabeça percebe-se mais um indivíduo refém do seu próprio sistema? Ele é esquecido. É um estranho no ninho. É a velha história de que o maior dos comunistas, se no fundo não é, tornar-se-á um dia capitalista.

Fazendo uma introspecção acerca de tudo isso, constata-se que cada vez menos existem pessoas capazes de observar a beleza do mundo fora do universo do dinheiro. Não me refiro apenas à beleza da natureza, mas a própria beleza do ser humano. Ficamos cegos, pois deixamos de ver o que as pessoas têm de melhor. O nível financeiro não pode medir valores.

E o Natal? Só merecemos presentes, reuniões em família, trocas de afeto, uma vez por ano? As pessoas deixam seus familiares em casa para irem em busca de presentes. É difícil contentar uma criança só com abraços quando ela vê seus amigos ganhando brinquedos. Não existe maior presente do que o de estar perto de quem se ama. Então isso deveria ser valorizado, não em uma data específica, mas em todos os dias do ano.

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